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A solidão de quem lidera

Quando alguém vira líder, costuma receber parabéns, um novo cargo e mais responsabilidades. O que quase ninguém comenta é que, junto com tudo isso, muitas vezes vem uma sensação difícil de explicar: a de estar mais sozinho.

De onde vem essa solidão

A liderança muda a posição de uma pessoa dentro do grupo. Algumas coisas costumam acontecer:

  • Você deixa de ser "um dos colegas". As conversas mudam quando você entra na sala. Algumas informações você não pode mais dividir com a equipe.
  • Você carrega decisões que afetam a vida de outras pessoas. Cortes, avaliações, promoções, conflitos. Mesmo quando a decisão é a certa, ela pesa.
  • Você fica no meio. Precisa responder às expectativas de quem está acima e, ao mesmo tempo, proteger e sustentar quem está abaixo.
  • Você sente que não pode demonstrar fragilidade. Existe uma pressão, às vezes interna, para parecer sempre seguro, disponível e no controle.

O resultado é um peso que raramente aparece nas conversas formais, mas que se acumula.

Sinais de que a conta está chegando

  • Você é o primeiro a responder mensagens e o último a se desconectar.
  • Tem dificuldade de delegar porque "é mais rápido fazer sozinho".
  • Leva os problemas da equipe para casa e para a cama.
  • Sente que não tem com quem falar sobre o que realmente te preocupa no trabalho.
  • Fica irritado com mais facilidade, ou anestesiado, sem sentir muita coisa.
  • Duvida de si mesmo com frequência, mesmo com bons resultados.

Lideranças também adoecem. Ansiedade, esgotamento e insônia são comuns entre pessoas que ocupam cargos de gestão, especialmente em empresas em crescimento, com metas agressivas e pouca estrutura.

O que costuma ajudar

  • Ter um espaço que não é o trabalho para falar do trabalho. Amigos, mentores, pares de outras empresas. Pessoas com quem você não precisa manter a postura de líder.
  • Separar responsabilidade de onipotência. Você é responsável por conduzir, não por controlar tudo nem por resolver a vida de todo mundo.
  • Rever a relação com o erro. Líderes que não se permitem errar tendem a criar equipes que escondem erros, e a se cobrar de forma desumana.
  • Cuidar dos limites. Definir horários, canais e prioridades não é falta de comprometimento. É o que permite sustentar a função por mais tempo.

Terapia não é coaching

Muitos líderes buscam ferramentas de produtividade ou de gestão. Elas têm seu lugar. A psicoterapia, no entanto, é outra coisa: um espaço para olhar para quem você é dentro dessa função, para o que te move, para o que te esgota e para os padrões que se repetem, inclusive os que vêm de antes do trabalho.

Eu liderei equipes de diferentes áreas em empresas em crescimento, e conheço por dentro a pressão de decidir, entregar e sustentar um time ao mesmo tempo. Essa experiência me ajuda a entender, sem precisar de muita tradução, o que um líder vive.

Para terminar

Liderar pode ser uma experiência muito bonita, de construir coisas e ver pessoas crescerem. Mas ninguém deveria precisar fazer isso sem ter, também, um lugar para ser ouvido.

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Diego Robert · Psicólogo · CRP 09/012132

Este texto é informativo e não substitui uma avaliação psicológica.