Transição de carreira5 min de leitura

Fui demitido. E agora?

Uma demissão costuma chegar como um impacto. Às vezes é anunciada numa reunião curta, às vezes vem depois de semanas de clima estranho, às vezes é completamente inesperada. Em qualquer caso, o que vem depois raramente é só uma questão prática de procurar outro emprego.

Não é só o salário

Quando se perde um trabalho, perde-se também uma rotina, um lugar no mundo, colegas, uma forma de se apresentar ("eu trabalho com…"), às vezes um projeto em que se acreditava. Para muita gente, o trabalho é uma parte importante da identidade. Por isso, a demissão pode ser vivida como um luto.

É comum sentir, em ondas e sem uma ordem certa:

  • choque e incredulidade;
  • raiva da empresa, de alguém específico ou de si mesmo;
  • vergonha de contar para as pessoas;
  • medo em relação ao dinheiro e ao futuro;
  • alívio, quando o trabalho já fazia mal, e depois culpa por sentir alívio.

Todas essas reações são compreensíveis. Elas não dizem nada definitivo sobre o seu valor como profissional.

Armadilhas comuns

Algumas reações são naturais no começo, mas costumam atrapalhar se ficam por muito tempo:

  • Tomar a demissão como sentença sobre quem você é. Demissões acontecem por cortes, reestruturações, mudanças de gestão e decisões que muitas vezes não têm a ver com o seu desempenho.
  • Se isolar. A vergonha leva a evitar pessoas, mas é justamente a rede de contatos que costuma abrir as próximas portas, e que dá apoio no meio do caminho.
  • Aceitar a primeira coisa que aparecer, por desespero. Às vezes é necessário, mas vale olhar com cuidado para não repetir o mesmo cenário que te esgotou.
  • Ficar ruminando o que poderia ter sido diferente. Refletir é útil; repassar a mesma cena cem vezes, não.

O que costuma ajudar

  • Organizar o básico. Entender os direitos, as finanças e o tempo que você tem diminui a sensação de queda livre.
  • Manter alguma rotina. Horário para acordar, movimento físico, um tempo definido para a busca de trabalho e outro para descansar.
  • Contar para pessoas de confiança. Falar em voz alta tira parte do peso.
  • Usar a pausa para se perguntar o que você quer. Uma demissão também pode ser uma oportunidade de rever o caminho: o que funcionava, o que não funcionava e o que você não quer mais.

Quando a terapia faz sentido

A psicoterapia pode ajudar a elaborar o que aconteceu, a lidar com a ansiedade e a autocrítica e a pensar os próximos passos com mais clareza, sem pressa e sem a voz do medo decidindo tudo. Tendo trabalhado também com recrutamento e liderança, sei de perto como esses processos funcionam do outro lado da mesa, e o quanto eles podem ser duros para quem passa por eles.

Para terminar

Ser demitido é difícil, e ninguém precisa fingir que está tudo bem. Mas esse momento não precisa definir a sua história. Ele pode ser só um capítulo, e você não precisa atravessá-lo sozinho.

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Diego Robert · Psicólogo · CRP 09/012132

Este texto é informativo e não substitui uma avaliação psicológica.